Pesquisador brasileiro desenvolve sistema que pode acabar com enchentes

22 de Janeiro de 2016

Pesquisador brasileiro desenvolve sistema que pode acabar com enchentes

Pesquisadores da Escola de Engenharia de São Carlos, da Universidade de São Paulo (EESC-USP), estão estudando um sistema de drenagem de água de chuva alternativo aos utilizados hoje no Brasil, que pode contribuir para minimizar o problema de enchentes em cidades.

“O sistema permite captar a água da chuva antes de ser lançada diretamente em um rio ou córrego de uma cidade, por exemplo, para que possa ser tratada previamente e infiltre no solo com velocidade e volume adequados, diminuindo o risco de inundações. Por isso, pode ser útil para a prevenção de enchentes”, disse Altair Rosa, participante do projeto, à Agência FAPESP.

A solução de drenagem consiste na construção em áreas que costumam sofrer com alagamentos de filtros subterrâneos permeáveis, compostos por camadas sobrepostas de grama, areia, brita e manta geotêxtil, que permitem reter poluentes e deter temporariamente volumes excessivos de água de chuva que escoa dentro deles.

As estruturas, chamadas tecnicamente de sistemas de biorretenção, funcionam como um reservatório para o amortecimento da água da chuva, armazenando-a por um determinado período de tempo de modo que possa posteriormente infiltrar ou ser absorvida naturalmente pelo solo.

Dessa forma, elas ajudam a reduzir o volume de água de chuva e a retardar os picos de cheias em bacias ou microbacias, como rios e córregos, de regiões urbanizadas, explicou Altair. “O sistema pode colaborar bastante nesse sentido porque faz com que a água da chuva que recebe ajude no abastecimento do lençol freático, sem ter que passar por uma tubulação, por exemplo, até chegar ao seu destino final. Ele possibilita reter e tratar água de chuva que poderia ser desperdiçada”, afirmou.

A camada superficial do sistema, composta por vegetação, permite reter a água da chuva de modo a não causar problemas de erosão. Em conjunto com as camadas de areia, brita e a manta geotêxtil, a camada de vegetação também auxilia na retenção de poluentes carreados pela água da chuva, detalhou Altair. “Ao passar por essa série de filtros, a água da chuva torna-se cada vez mais tratada antes de chegar ao lençol freático”, disse.

Um dos diferenciais do método é usar simulações de cenários climáticos futuros e dados como a extensão, o grau de urbanização e de vegetação e a previsão de novas construções na área onde a técnica de drenagem será implementada. Além disso, integra indicadores de qualidade e quantidade de água de chuva e estimativas de riscos de contaminação da população, que, de acordo com os pesquisadores, é um aspecto não abordado pelos métodos tradicionais de dimensionamento de sistemas de drenagem.

Clique aqui para ver mais detalhes deste sistema.

Da Agência Fapesp


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