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Projeto quer que alimentos gordurosos e industrializados tenham rótulos que alertam sobre riscos à saúde

Projeto quer que alimentos gordurosos e industrializados tenham rótulos que alertam sobre riscos à saúde

Terca-Feira, 17 de Abril de 2018

Facilitar a escolha dos consumidores paranaenses por produtos saudáveis e que não tragam prejuízos a sua saúde é o objetivo de um projeto apresentado na Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP), pelo deputado estadual Rasca Rodrigues (Podemos), nesta terça-feira (17). A proposta prevê a criação de tabelas nutricionais diferenciadas, com informações claras e didáticas, nos rótulos de alimentos gordurosos e industrializados, como forma de alertar os consumidores antes da compra.

Pelo projeto, as tabelas nutricionais destes alimentos devem ser apresentadas com as quantidades e níveis de açúcar, sal, gordura saturada e gordura total em três cores diferentes: vermelha para alimentos fora dos padrões nutricionais recomendáveis, indicando excesso nos níveis; amarela para alimentos dentro dos limites toleráveis e verde para alimentos dentro dos padrões saudáveis. No texto do projeto são apresentados os números limites para se classificar como saudável, ou não, os produtos alimentícios.

Segundo Rasca Rodrigues, os consumidores têm o direito de saberem o que estão comprando e comendo previamente. “As tabelas nutricionais atuais são verdadeiras em mostrar os números do que cada alimento tem. Mas não dizem se determinado alimento é bom ou ruim para nossa saúde. Ao estabelecer a distinção por cores, estamos facilitando a interpretação da tabela e ajudando as pessoas a escolherem por alimentos saudáveis”, explicou.

O projeto também modifica as informações que são obrigatórias nas tabelas nutricionais, com o objetivo de deixá-las mais simplificadas ao consumidor. Além das já obrigatórias informações do valor energético e nutricional, com base em uma porção, o projeto prevê que as tabelas informem o número de porções que cada produto contém, expressando o conteúdo energético total. 

Rasca afirmou que a ideia foi protocolada na ALEP, após tomar conhecimento de estudos científicos, que chegaram até ele por meio da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), que provam que o emprego de rótulos diferenciados muda o comportamento de compra dos consumidores. “Os cigarros, por exemplo, trazem estas informações e as pessoas têm o livre arbítrio de comprarem ou não. Mas eles têm os riscos informados, o que não ocorre nestes produtos”, comparou.

PESQUISA – O estudo “Desenvolvimento de selo para identificação do teor de nutrientes embalados”, elaborado por professores da Universidade Federal do Paraná e Universidade Positivo, sob a coordenação do médico e presidente da SBCBM, João Caetano Marchesini, foi utilizado como base científica para o projeto de lei.

Pelo estudo, pioneiro no país, 89% dos consumidores, ao se depararam com um selo vermelho alertando os riscos à saúde de determinado alimento mudaram suas escolhas de compra no supermercado. Apenas 11% mantiveram a opção por alimentos gordurosos e industrializados com o selo vermelho.

"A interpretação de rótulos e informações nutricionais de alimentos embalados deve ser facilitada para que a população possa fazer escolhas autônomas, saudáveis e adequadas. Apresentamos um estudo cientifico que comprova a mudança na escolha das pessoas quando elas são alertadas de que determinado alimento não faz bem à saúde", conta Marchesini. 

OBESIDADE - Para Marchesini, a obesidade está diretamente associada, na maioria dos casos, ao aumento da ingestão de energia e ao alto consumo de alimentos ultraprocessados.

O médico explica que os alimentos ultraprocessados devem ser evitados, pois são ricos em gorduras e açúcares, contém quantidades excessivas de sódio, além de alto teor de gorduras saturadas e hidrogenadas para estender a duração na prateleira, intensificar sabor, cobrir sabores indesejáveis dos aditivos e das substâncias geradas pelas técnicas utilizadas em sua fabricação.

"Além disso, os alimentos ultraprocessados são pobres em fibras, vitaminas, minerais e outras substâncias que estão naturalmente presentes nos alimentos in natura e minimamente processados como, por exemplo, os grãos, verduras, legumes e frutas", reforça Marchesini.

Atualmente o Brasil é o 5º país do mundo em obesidade e o Paraná encontra-se na 9ª posição. “Entre os anos de 2003 e 2013 houve um aumento de 588,28% nas hospitalizações por obesidade no Paraná. Já as mortes por obesidade aumentaram 229,4%”, destacou o médico.

O projeto de lei 210/2018 deve ser apreciado nos próximos dias pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Se for aprovado, deve ir às comissões temáticas até ser votado em definitivo no plenário.

Foram responsáveis pelo estudo, juntamente com o Dr. Caetano Marchesini, a nutricionista e mestranda em alimentação e nutrição pela UFPR, Ana Cláudia Thomaz; a nutricionista e mestre em segurança alimentar e nutricional e professora da Universidade Positivo, Rubia Daniela Thieme, o professor do curso de Comunicação Social da Universidade Positivo, Sergio Czajkowski Jr e as alunas do curso de nutrição da Universidade Positivo, Gabriela Franco e Lucimara Bertoni.

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