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Audiência pública na Assembleia Legislativa debate questão da exploração econômica da água

Audiência pública na Assembleia Legislativa debate questão da exploração econômica da água

Quarta-Feira, 29 de Novembro de 2017

A audiência pública “Água é direito, não mercadoria” foi realizada no Plenarinho da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) na manhã desta quarta-feira (29), e contou com a participação de representantes de diversos segmentos, com palestras sobre a contaminação por agrotóxicos, a preservação de rios e nascentes, a exploração hidrelétrica, além dos impactos ambientais em diferentes níveis. O evento atendeu a uma proposição conjunta do presidente da Comissão de Cultura, deputado Péricles de Mello (PT); do presidente da Comissão de Ecologia, Meio Ambiente e Proteção aos Animais, deputado Rasca Rodrigues (PV); e do presidente da Comissão de Direitos Humanos e da Cidadania, deputado Tadeu Veneri (PT).

“Temos que fazer este debate porque estamos vivendo um momento em que o avanço das entidades privadas sobre as questões públicas está cada vez mais frequente. Há um desmonte da coisa pública. E quando falamos de água, evidentemente que ela não pode ser tratada como simples mercadoria, mas sim como um bem disponível universalmente e direito da população”, afirmou Péricles de Mello.

Para o deputado Rasca Rodrigues, fomentar o debate com a sociedade organizada, com as entidades que lutam em prol do meio ambiente, é fundamental para que a defesa da água e de sua utilização racional também sejam colocadas em pauta, assim como a proteção dos rios e nascentes. “Essa discussão é fundamental, porque o que temos visto é uma política cada vez menos preocupada com o meio ambiente. Os nossos rios precisam ser protegidos, mas temos acompanhado cada vez mais a exploração econômica da água. Por isso essa discussão precisa efetivamente ser feita, com a participação da sociedade”.

Na avaliação do deputado Tadeu Veneri, a reunião foi pertinente não apenas pela questão social e ambiental, especificamente sobre a água, mas também pela atual política de precarização dos serviços públicos. “Há, sim, um processo de desconstrução dos serviços públicos, pois o que estamos vendo em diversas esferas, tanto federal, quanto estadual, é um compromisso muito menor com o interesse da população e muito maior com grupos privados, até mesmo em relação à água”.

Os deputados Professor Lemos (PT) e Evandro Araújo (PSC), além do secretário-geral da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Marcio Kieller, e do coordenador do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Roberto Baggio, também participaram da reunião, em que foi discutida ainda a organização do Fórum Alternativo Mundial da Água, a ser realizado em Brasília, entre os dias 17 a 22 de março do próximo ano. “Será um debate não apenas para a questão do saneamento, mas de uma perspectiva mais ampla. Vamos discutir a água na relação com os povos indígenas, com os quilombolas, com os pescadores e sua relação histórica e cultural, em contraponto aos interesses das corporações que querem dominar inclusive a água”, afirmou o representante da coordenação do fórum, Edson Aparecido da Silva.

O professor do Departamento de Meio Ambiente da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Dimas Floriani, ressaltou que cada vez mais a demanda mundial por água vem aumentando e que uma disputa econômica e geopolítica também está em jogo. “A indústria e a agricultura são os segmentos que mais consomem água. Há, portanto, uma clara posição daqueles que encontram na água a matéria prima para muitas coisas e tratam dela como um produto, um negócio. O que fica evidente é o interesse econômico e de dominação. A demanda mundial por água aumentou seis vezes nos últimos 20 anos. É preciso refletir sobre isso”.

O diretor de Meio Ambiente e Ação Social da Sanepar, Glauco Requião, destacou o protagonismo da Assembleia Legislativa em defesa da água, lembrando que a população precisa de água tratada e saneamento com qualidade. “Fico feliz em ver esta Casa abrindo espaço para esse tema. Quando falamos em água, estamos falando em vida, em interesse e defesa pela vida. Por isso, temos que ampliar os serviços para a população, porque estamos preservando a vida e dando uma qualidade de vida digna para as pessoas”.

Também se posicionou contrariamente à transformação da água em produto mercadológico a representante do Comitê Paranaense do Fórum Alternativo Mundial da Água, Joseanair Hermes. “Somos totalmente contra a privatização e o tratamento da água como mercadoria, porque quando isso acontece todos são vítimas, mas quem mais sofre é o morador da periferia, que já vive numa condição de total esquecimento”.

 

FONTE: ASCOM Assembléia Legislativa do Paraná

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